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Português

Setembro

Me arrasta contigo
nos dias de setembro
quando irei ao teu encontro
sulcada de sonhos
e cantando muda
as confidencias da espera.
Me arrasta nos crepúsculos
lentos e alegres
quando acenderei
o branco dos olhos
com fábulas que recordam
as graças da aurora
recantada nos sonhos,
nina-nana muda,
da manhã longinqua.
Me arrasta
com a impossível piedade
de excesso de coração.
aça eterna a minha noite
os dedos espalhados na nuca
dizendo adeus à saudade.
Tu e eu
na areia incendiada
no vôo
que Deus inveja.


Febre 1

Mergulhe com pressa
Até atingir-me todas as angústias.
Nas minhas sobras
na ternura do meu ultimo grito
impregnado em cada poro
de uma ardência que permanece.
Quem sabe...
Se eu pudesse
viver todas as coisas
sem sentir culpa por isso...
Não usar da loucura
para poder estar contigo..
Me chama!!!
Sou a tua parte oculta
a tua mesma parte esquerda
que sente as vibrações
dos músculos exatos
e do desejo com perfume de bosque.
Me chama!!!
Com a força do beijo
o doce dos olhos
e uma febre só minha
por audácia e direito
de te dar
até mesmo
o que nunca tive.
Me chame de puta
com a boca retorcida
que eu sei de memória o teu jeito
e o que fica da tua palavra.
Que escorra o meu sangue
e todos os gestos desta carne contraída..
Mas te amar é ferida...
Porque toda vez que alguma coisa queima
existem os gestos medidos
coração no horário
e este teu sol ardendo muito
e aquecendo excessivamente a lança
que me abre
em tortura lenta.
Me chama!!!
Me ensine a enlouquecer
devagar, devagar,
com a grande loucura
do amor impossível.
Só o que eu quero agora
é que me chame
lacerando a barreira da carne
com olhar cúmplice roubado
e me caia em cima
por todos os lados
na parte interna mais funda
que eu arrisco
e me lanço com ímpeto
ao teu contato profano
com gosto de crueldade
e esplendor
de luz estranha.