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A alma na pedra

A alma na pedra - a



O porquê do retorno


                Observando o presente, no olhar dos netos e bisnetos dos nossos imigrantes, sempre vi uma luz do passado que, os limitava a uma desconcertante nostalgia e a uma contemplação grandiosa a qualquer ponto de referimento que lhes pudesse mostrar um caminho, e dar a resposta: Quem sou? De onde venho? Nossa história de imigrantes era um labirinto, porque as raízes pareciam escondidas como um grande peso, ou dor e somente poderiam vir à luz através de perguntas, pesquisas... E muita paciência.

Minha cidade natal, Serafina Corrêa - RS – Brasil:

 

 

A colonização da antiga ‘Linha Onze’ ou ‘ Rosário de Guaporé’, iniciou-se por volta de 1892, com a chegada dos primeiros imigrantes italianos, oriundos do norte da Itália.

Os pioneiros traziam em si um grande ideal, e o desejo de fazer da nova terra, a sua nova Pátria.

Em 07 de agosto de 1930, com a intervenção do Estado, foi fixada como Distrito, condição em que permaneceu até 25 de Julho de 1960, quando pela Lei nº 3.932 foi elevada a categoria de Município, desmembrando-se de Guaporé.

O nome Serafina Corrêa, é uma homenagem à esposa do 1º Intendente da cidade mãe, Sr. Vespasiano Corrêa.

No ano de 1985, minha cidade natal, Serafina Corrêa, inaugurou o que hoje é um grande marco na história da Cultura Italiana no Rio Grande do Sul: a Nave Degli Immigranti, obra do escultor Paulo Siqueira (in memorian), em homenagem aos imigrantes, sua coragem, sua vontade, seu desempenho, sua luta e sua vitória. Em 1988, através do Decreto Lei n° 43 de 1988 do então Prefeito Municipal, Sr. Sergio Antonio Massolini, na Semana de Emancipação do Município, a língua oficial seria o nosso dialeto/Talian. Em seqüência do Decreto Lei, a Festitália, que é uma semana de manifestações culturais em dialeto Vêneto Brasileiro e/ou Talian: teatro, música, feiras etc. Com a participação de toda a população, foi sendo escrito como em um livro ilustrado com personagens vivos a nossa história pessoal e coletiva. A passagem de uma geração à outra não foi repetição: evoluímos. Serafina Corrêa, emancipada em 1960, conta hoje com mais de 12.000 habitantes e tem como ponto de referimento, destacado no Brasil e em outros países, a Via Gênova, onde se encontram as réplicas de casas famosas na Itália (Castello Inferiore di Marostica, Casa di Romeo, Casa di Giulietta, La Rotonda e o Coliseu, sem esquecer a Nave Degli Immigranti). Há anos as rádios transmitem programa dominical no nosso ‘Talian ou Vêneto Brasileiro’, nosso jornal tem um espaço dedicado à Cultura Italiana, Ciàcole (14 anos), escrita por mim, com a colaboração de todo o nosso povo que ama e cultua nossa memória. Cidades vizinhas contam com população maior ou menor de Serafina Corrêa, sem esquecermos que a nossa ‘vida imigrante’ teve início em 1875, e todas cultuam a mesma memória, a mesma nostalgia e o mesmo respeito, o que nos honra e dignifica.

 

Onde eu entro na história?

 

Por amor, comecei a busca do rico material do passado guardado na memória do nosso povo, provando, então, que a passagem das gerações, não sendo repetição, pode ser construção. Passando de casa em casa, aos domingos, fui registrando os cantos, os ditos populares, as orações, os provérbios, as estórias e histórias e, ao mesmo tempo, reconstruindo e dando continuidade ao que acredito ser ‘nossa verdadeira identidade’ (isso por mais de quinze anos). Fiz parte, aos domingos de manhã, do programa ‘ La Voce Del Vêneto’ na Rádio Odisséia FM e, diretamente do programa, marcava encontro com os nonos e suas comunidades ou capelas. Agradeço ao Dr. Paulo bsoc5é Massolini, que também resgatou parte da nossa cultura, e hoje é Presidente da FIBRA-RS (Federação das Associações Ítalo Brasileiras do Rio Grande do Sul), que me incentivou nesse sentido de buscas, colocando no ar a voz do nosso povo, muitas vezes registrada com lágrimas nos olhos porque na nossa história o amor e a dor fazem parte.

Mas era tão pouco. Os registros no jornal, antes no ‘Sexta-Feira’ (maio de 1993), depois, graças a Ana Maria Schizzi e Renato Paz, ‘O Novo Jornal’ e, (01-07-93) até hoje, ‘O Serafinense’ (10-03-95), ‘Ciàcole’, foram também de grande valor, pois me incentivavam a registrar cada palavra na nossa língua de origem, me impulsionavam a escrever no nosso Talian. E assim fui compondo um caminho sem volta. O amor pelas origens era uma exigência de continuidade: fiz músicas em Talian, fui vocalista do Grupo Sagra, recebi dezenas de prêmios no Brasil e na Itália, tanto pelas músicas como pelas poesias e, para poder auxiliar mais de perto aos nossos imigrantes, para que pudessem ter um apoio permeável e gratuito, fundei, junto com Nadir Gobbi, Sidnei Canton, Roseli Luzzi, Edemir Chiodelli, Edilene Rotta e mais um grupo de pessoas, a Associazione Origine Italiana, registrada oficialmente em 1994, que no ano de 1995 integrou o Grupo de Danças Folclóricas ‘Ricordi Del Ballo’, coordenado pela Professora Terezinha Lorenzet Borges, com 145 alunos.

 

 
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